Top 10 – Melhores filmes de super-heróis

Como a partir do fim do mês vai se formar uma verdadeira chuva de super-heróis no cinema (confesso que apenas THOR e o novo X-MEN me interessam), vale a pena eu fazer minha listinha aqui dos 10 melhores filmes do gênero antes dessas novas produções.

Antes de começar, apenas um detalhe curioso: sempre achei que em filmes de super-heróis, as sequências costumam ser bem melhores que o original. Ainda assim, me surpreendi – ao terminar a minha lista, os 5 primeiros colocados são “parte 2”. Vamos a eles:

10- HOMEM DE FERRO

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Os X-Men já estavam com a Fox e o Homem-Aranha com a Sony. Assim sendo, a Marvel escolheu para lançar o seu estúdio com o mais famoso dos heróis de segunda linha: o Homem de Ferro. Só que nesse caso, o charme e carisma de Robert Downey Jr. fizeram toda a diferença. Vivendo Tony Stark, o anti-Bruce Wayne, o ator fez a festa no que é o seu grande comeback cinematográfico, com direito a auto-referências e muita ironia. Jon Favreau também acerta no tom, apostando numa abordagem mais leve do que a maioria desses filmes que na verdade são como investimentos a longo-prazo para o estabelecimento de franquias (detesto esse termo). Ainda assim, HOMEM DE FERRO consegue ser bastante contemporâneo, especialmente ao explorar de forma ambígua a política belicista norte-americana: finge criticar, pra depois glorificar sem medo.

9- OS INCRÍVEIS

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Quantos filmes nos últimos anos tentaram uma abordagem “realista” dos super-heróis? Do frustrante WATCHMEN ao odioso KICK-ASS, esses dois filmes chegam nem perto do refinamento (de forma e conteúdo) de OS INCRÍVEIS. Brad Bird é o rei do subtexto, e na verdade subverte a lógica do filme de super-herói – não são heróis que tem de possuir uma identidade (pessoa) secreta, mas uma família forçada a esconder os seus poderes e, por conseguinte, sua identidade (sujeito). Mesmo sendo um excelente filme família, é ousado em alguns aspectos (tem tiros e mortes). Além da família protagonista em si, dois personagens roubam a cena: o nerd que de tão nerd vira vilão, e Edna Mode – que como ela mesma diz, é “fogo na roupa”.

8- SUPERMAN – O RETORNO

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Já falei aqui no blog que acreditava que só eu gostava desse filme. Descobri pelos comentários de vocês que não era o único, e até me senti menos só. Obviamente, um dos objetivos de Bryan Singer (de quem eu gosto muito, mesmo em seus piores momentos) em SUPERMAN – O RETORNO era fazer uma grande homenagem ao original de Richard Donner. Conseguiu. Só que ele fez mais: não apelou a explosões, cenas com inúmeros efeitos especiais desnecessários e nem pro estilo “cinema como papel de parede” (do qual Zack Snyder, infelizmente o atual responsável pelo herói nas telas, é um seguidor fiel). Na verdade, Superman é um deus que se questiona, que sofre e, mais do que tudo, tem uma memória. E é nesse ponto – mais do que a trilha-sonora de John Williams, mais do que a atuação milimetricamente emulada de Christopher Reeve por parte de Brandon Routh – que o filme de Singer melhor utiliza o aspecto de “homenagem” ao filme de Donner. Todas as ações do herói trazem com elas a lembrança do que ele perdeu, e pode perder de novo. E até do Kevin Spacey camp eu gosto. Admiradores de SUPERMAN – O RETORNO, pelo menos estamos em boa companhia: Quentin Tarantino é outro super-fã do filme.

7- CORPO FECHADO

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Depois de O SEXTO SENTIDO – e de uma campanha de marketing equivocada – todo mundo achava que Shyamalan viria com mais um filme sobre espíritos e contos do além. No entanto, o que esperava o público era uma história que brincava com todo tipo de topos de super-herói: vilão, super-poder, ponto fraco etc. Bruce Willis, em uma de suas melhores atuações, dá vida a esse super-herói que se encontra perdido ao se ver como possuidor de características únicas. Samuel L. Jackson, sem partir pros seus exageros habituais, também surpreende (e num filme que se pretende tão “real”, adoro o fato dele ser colecionador de HQ). O final-surpresa de Shyamalan, onde todas as regras do jogo são reveladas, acaba sendo um interessante estudo sobre intersubjetividade. Isso porque nem comecei a falar da sutileza da fotografia de Eduardo Serra. Um filme que anda merecendo uma reapreciação.

6- SUPERMAN – O FILME

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Não contente em ser o homem mais poderoso da Terra, o Superman ainda tinha que ser filho do Marlon Brando! Aí realmente não tem pra ninguém. Tem filme mais delicioso que esse? Gene Hackman apresenta uma verve insuspeita para Lex Luthor, os detratores podem reclamar mas Margot Kidder foi a melhor Lois Lane que já existiu e Christopher Reeve… bem, quando ele dá aquele sorrisinho olhando pra câmera no final, you’ll believe a man can fly.

5- HOMEM-ARANHA 2

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Depois de um primeiro filme decente que captou perfeitamente o espírito da América pós-11/09, Sam Raimi decidiu aplicar tudo o que aprendeu com SUPERMAN II (mais sobre ele abaixo) em Peter Parker. Peter tem uma espécie de “estafa de superpoderes” e decide aposentar o Homem-Aranha, mas a ameaça do Dr. Octopus acaba deixando a aposentadoria do heroi de lado. A coisa que mais gosto do filme é como ele consegue lidar com o cotidiano trivial da maioria dos personagens (Peter precisando de notas boas, Mary Jane se batalhando por uma carreira de atriz) e ser uma festa visual de bom gosto, em especial a sequência do trem, sem dúvida a melhor cena de ação de qualquer filme de super-heroi. No mais, Sam Raimi inclui pequenos toques que elevam HOMEM-ARANHA 2 para além de um filme de super-herói usual: a divertidíssima sequência de “Raindrops keep fallin’ on my head” que parece um curta-metragem, o fato de Mary Jane estar encenando “The Importance of Being Earnest” no teatro e toda a questão da dupla identidade que isso implica, e a cena final, desconstruindo o clichê da mocinha não saber a identidade secreta do heroi.

4- SUPERMAN II

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Quando via esse filme quando era criança, morria de medo de Zod, Ursa e daquele mudo com cara sinistra. Hoje eu tenho medo daquelas roupas que eles usavam, mas isso é uma outra questão. O fato é que SUPERMAN II estabeleceu vários dos elementos usados em inúmeros outros filmes de super-herói “parte 2”, desde o desenvolvimento do relacionamento com a mocinha até a chegada de vilões mais casca-grossa. Porém, a principale questão de SUPERMAN II é a decisão do herói de abandonar o fardo de ser o salvador da pátria (e do planeta) para tentar levar uma vida normal, e tudo o que isso acarreta. Poucas vezes senti tanta angústia assistindo a um filme como nas cenas em que Christopher Reeve (que consegue o milagre de ser um Clark Kent melhor ainda que Superman) está fraco e tem de combater Zod e sua trupe. O discurso pró-América é reaganismo puro (os vilões tem aquele look russo não é à toa), mas ao focar tanto no lado “humano” como no lado “super” do herói, essa parte II acaba sendo melhor que o primeiro filme.

3- O CAVALEIRO DAS TREVAS

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Mais recentemente, a onda de “filme de super-herói realista” encontrou em O CAVALEIRO DAS TREVAS sua apoteose. Christopher Nolan, bebendo na fonte dos filmes policiais dos anos 70 e na filmografia de Michael Mann, faz de Batman um vigilante linha dura que acaba servindo de meio-termo para duas figuras completamente radicais, mas diametralmente opostas: o racional, defensor da lei a qualquer custo Harvey Dent; e o insano anarquista Coringa. Não é à toa que essas duas figuras acabam se tornando “vilões”: um apolíneo, outro dionisíaco, são incapazes de se controlar nos seus extremos, e cabe a Batman encontrar um equilíbrio. Por mais que as sequências de ação sejam espetaculares e o filme tenha um elenco de coadjuvantes estelar, é impossível negar que a figura do Coringa (em interpretação visceral de Heath Ledger) domina o filme. Num exercício niilista só visto no cinema no Alex de LARANJA MECÂNICA (referência instantânea), o vilão suscita na sociedade de Gotham questões que poderiam caber a qualquer grande cidade. O fato dele fazer isso com um monte de explosões e efeitos, contudo, deixa tudo mais divertido.

2- BATMAN – O RETORNO

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Se Nolan preza pelo realismo, Tim Burton em seus dois filmes da série BATMAN prezou pelo simbólico. Depois de uma competente primeira produção que acabou por definir as regras (artísticas e comerciais) do cinema de super-herói moderno, o diretor – com bastante liberdade dada pela Warner – decidiu ir fundo nas suas temáticas um tanto perturbadoras, que se refletiram num espetáculo visual gótico pelo qual se tornou para sempre associado. Eu já falei aqui no blog que vejo BATMAN – O RETORNO menos como um filme da série BATMAN e mais como parte da “trilogia de Natal” de Tim Burton: EDWARD MÃOS DE TESOURA (1990), BATMAN – O RETORNO (1992) e O ESTRANHO MUNDO DE JACK (1993). Os três filmes tem cenas importantes que se passam no Natal e pra mim foram realizados no ápice criativo de Burton. No caso desse segundo BATMAN, Burton fez da relação entre Bruce Wayne-Selina Kylie-Pinguim um verdadeiro triângulo amoroso mórbido, onde látex, agulhas de costura e cheiro de esgoto se misturam. Ainda mais que no primeiro filme, Burton transforma Gotham numa bad trip onírica, com palhaços assassinos e morcegos que saem de árvores de Natal. Danny DeVito está inspiradíssimo como Pinguim – quanto mais over, melhor fica. Michael Keaton, sempre espinafrado por sua atuação como o homem-morcego, está muito bem, mais confortável como Bruce Wayne. Mas quem rouba todas as cenas é mesmo Michelle Pfeiffer como a Mulher-Gato. Na melhor atuação que existe em um filme blockbuster, a atriz (auxiliada por um esperto roteiro) dá uma profundidade freudiana a todas as suas cenas, em especial aquela em que encontra com Bruce Wayne no baile de Natal – digo, sem medo, um dos meus momentos favoritos na história do cinema.

1- X-MEN 2

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Sabe o que eu acho mais incrível em X-MEN 2? O filme é múltiplo em diversos sentidos: são muitos personagens, muitas histórias paralelas, muitas cenas com estilos diferentes (ação, suspense, humor, drama), muitos temas sérios discutidos (preconceito, livre arbítrio, identidade), muitas metáforas de minorias (negros, gays, mulheres) e até mesmo muitos títulos (X-MEN 2, X-MEN UNITED, X2) – e mesmo assim, o resultado é coeso, emocionante e envolvente. Depois de um primeiro filme razoável, Bryan Singer coloca o elenco principal às voltas com William Stryker, que sabe muito do passado de Wolverine, enquanto tem de enfrentar um plano espetacularmente sinistro de Magneto para acabar com todos os “não-mutantes”. Com tanta coisa acontecendo, é difícil dizer qual o personagem favorito ou a sequência mais marcante. Tudo que envolve o Noturno (Alan Cumming, cheio de nuances), por exemplo, é excepcional: no quesito ação, o personagem fornece uma abertura inesquecível para o filme com a sua invasão da Casa Branca; no quesito emoção, seu inspirado diálogo com Tempestade sobre raiva/aceitação por ser diferente parece ter saído de um livro sobre identidade cultural. Isso é só um exemplo, porque é impressionante como num elenco desse tamanho todos os personagens tem uma cena pra brilhar: Professor Xavier (Patrick Stewart) e suas cenas de transe, Magneto (Ian McKellen) e sua originalíssima fuga da prisão de plástico, Mística (Rebecca Romijn) e sua invasão à fortaleza de Stryker, Bobby Homem de Gelo (Shawn Ashmore)e a cena em que “sai do armário” para os pais e vários outras. Mas merecem destaque especial Hugh Jackman como Wolverine, finalmente mostrando o seu lado mais animalesco nas cenas de invasão à escola; e Famke Janssen, quem diria, em pequenos momentos de brilhantismo como Jean Grey. Em resumo, X-MEN 2 é um filmaço que eleva os filmes de super-herói para além da mera “franquia”

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10 respostas a Top 10 – Melhores filmes de super-heróis

  1. Raphael diz:

    Engraçado – não sabia que Corpo Fechado era filme de Super-Herói – e eolha que eu vi esse filme e achei o máximo. Eu achava que era só sobrenatural…
    tirando isso (e Homem de Ferro, pois nunca vi) eu sabia quase toda a sua lista – só me supreendi com as posições 1 e 2 – achei que seriam invertidas…

    adorei o post!😉

    • Anderson diz:

      Eu amo muito Batman Returns, mas acho que X-Men2 é um tantinho melhor. De qualquer forma, acho que os top 3 filmes da lista são excelentes, independente de serem filmes de super-heroi ou não.

  2. Romulo diz:

    A sorte é que Homem de Ferro não tá em posição mais alta, porque quando comecei a ler a lista, já comecei a xingar.

    Acho que Superman – O Retorno poderia ter sido melhor desenvolvido, mas é mesmo um bom filme.

    Em meu mundo ideal, todos iriam ver o quão ótimo é Corpo fechado e o quanto ele discute regras do mundo dos super heróis.

  3. karine diz:

    A-do-ro todos os filmes dessa lista!🙂 E esse top 3 é fantástico. Eu achava que só eu gostava de Batman Returns (tenho medo do Danny DeVito até hoje).

    Corpo Fechado é genial.

    Esses 3 Supermans, os dois antigos e o novo são favoritos.

    E eu queria muito ser amiga do Tony Stark.

  4. Ai, como eu adoros os teus posts, menino.🙂

    Eu achava que só eu no mundo gostava de “Corpo Fechado”. E Terence Stamp de vilão é TUDO.

  5. Fernando Sobrinho diz:

    ” Batman-O Retorno” é também um dos meus filmes favoritos e sou espinafrado quando digo isso,rsrs. Michelle Pfeiffer estava mesmo genial como Mulher-Gato/Selina Kyle.

  6. Celso diz:

    Tenho discordâncias com a sua lista, por exemplo não colocaria X-Men 2 em primeiro lugar, mas foi bom ver dois filmes subestimados em sua relação: Superman – o Retorno e Batman – o Retorno. Particularmente eu acho o último o melhor filme de herói, e uma das melhores obras de Tim Burton ao lado de Ed Wood e Sweeney Todd. Muita gente reclama que Batman, a Mulher-Gato e o Pinguim estão meio distantes dos personagens dos gibis o que é verdade. Se eles encararem o filme como uma história imaginária alternativa, talvez percebam que Batman – o Retorno é uma maravilha.

  7. Xico diz:

    Adorei sua lista, especialmente o primeiro lugar. Quando comentava entre amigos que X-Men 2 é o melhor filme sobre super-heróis, muitos apontavam o segundo Batman moderno. Acontece, que as questões abordadas pelos mutantes (e olha que não são poucas) atingem uma verve tão espetacular na qual o filme de Nolan não me atinge. Claro que é quase um empate técnico, mas a força do elenco do X-Men 2 serve como o nariz da vez.

  8. julio diz:

    cadê o homem aranha? o 1 e 2 merecia entrar nessa lista

  9. André diz:

    Cara,o KICK-ASS deveria estar nesta lista,o filme é muito show.

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