O ano em que o Oscar foi de retrô

james-franco-anne-hathaway-oscar-marilyn-monroeE chegamos ao fim de uma das temporadas de premiação mais decepcionantes dos últimos tempos. Já existiu uma época na qual supostamente os melhores filmes seriam aqueles dignos de reconhecimento e até cheguei a acreditar nisso por um bom tempo, mas depois que eventos traumatizantes como a vitória de CRASH no Oscar ocorreram, perdi totalmente a fé nos prêmios de cinema. Atualmente tudo limita-se ao espetáculo, ao razzle dazzle, e portanto não há porque exigir mais do Academy Awards. Contudo, a festa do dia 27 não só falhou no bom gosto como entregou um dos shows mais esquecíveis dos últimos anos.

A tentativa de tornar a transmissão “young” e “hip” falhou miseravelmente. O que poderia ser salvação de uma temporada particularmente fraca apenas acompanhou a tendência vista em todos os outros espetáculos: hoje em dia é complicado encontrar bons entertainers, tanto que as principais risadas vieram de montagens no mínimo questionáveis. E o que ocorreu com os grandes números musicais do Oscar? Se antes eles eram motivo de expectativa, agora são quase tão dispensáveis quanto todo o resto. Anne Hathaway até tentou (algo que James Franco nem fez), mas a falta de interesse da plateia presente no Kodak Theatre foi transmitida para os milhões de espectadores ao redor do planeta.

A melhor surpresa da noite, a meu ver, foi a vitória de Trent Reznor e Atticus Ross, uma vez que não imaginava que Academia abraçaria uma trilha tão alternativa e diferenciada do que eles estão acostumados. Das categorias de atuação, o melhor discurso claramente foi o de Christian Bale, ainda que o de Natalie Portman tenha sido bom – mas num ano com Melissa Leo ganhando, qualquer um fica bem na fita. O final da cerimônia, com as crianças cantando “Somewhere Over the Rainbow”, foi bonitinho, porém já era tarde demais. Não acredito que O DISCURSO DO REI seja o pior vencedor possível da seleção, mas os votantes poderiam ter feito muito, muito melhor. Ao fim, o post do Anderson comentando os vestidos do red carpet foi mais divertido e relevante que toda a premiação.

Por falar no Anderson, quero agradecer pelo convite e pelo simpático comentário em seu mais recente post. O “bate-blog” definitivamente foi uma ideia que funcionou não apenas por discutir aspectos relevantes nas semanas que antecederam a grande festa do cinema, mas pela oportunidade de comentar alguns dos melhores filmes da temporada. Pena que tenha acabado em algo tão sem graça quanto o Oscar 2011, mas a iniciativa foi boa o suficiente para ir além da premiação. Obrigado também a todos que nos acompanharam e até a próxima!

Vinícius

Bate-blog #14 – One King to Rule Them All

Bate-blog #13 – Um Olhar Sobre a Década

Bate-blog #12 – Eu desisto: O DISCURSO DO REI vai acabar levando tudo

Bate-blog #11 – Os Hipsters também amam

Bate-blog #10 – For Your Consideration: Crazy Old Lady Edition

Bate-blog #9 – A Tale of Two Cities

Bate-blog #8 – Da crítica, do público e do prazer da festa

Bate-blog #7 – Sobre o que a Academia não via

Bate-blog #6 – Há mérito em “filme de Oscar”?

Bate-blog #5 – Da sutileza que se passa por obviedade. E da obviedade que se passa por sutileza.

Bate-blog #4 – O Rei vs. o Facebook

Bate-blog #3 – You’re my queen. Inception, you’re my dream.

Bate-blog #2 – Sobre Nolan e um pouco de Yates

Bate-blog #1 – O Cinema em 2010


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2 respostas a O ano em que o Oscar foi de retrô

  1. carol diz:

    Poxa Vini, bem que você poderia voltar com um blog, tão gostoso te ler…aliás, esse bate blog todo foi muito legal, excelente ideia Anderson!!

  2. Ana Paula diz:

    Uma chatice! Anne completamente descontrolada (com seus gritinhos) e James totalmente chapado!Só comprova o que sempre achei dele, um mala sem alça. Anne é talentosa e não vou dizer nada de ruim a seu respeito, mas como como host é fail.
    A “Academia” continua retrógrada e irritantemente conservadora. O discurso do rei (gostei, mas achei muito quadrado)e Em um mundo melhor estão aí pra provar.
    Não dá pra dizer que acertaram com Natalie, Colin, Bale (e até) Leo, pois era o óbvio a ser feito.
    Continuo achando o desprezo a Christopher Nolan e os poucos prêmios para Inception, um verdadeiro crime.
    Acho que a única e real satisfação que tive foi assistir Trent Reznor (e Atticus Ross) subir ao palco do Oscar. Estranho e divertido, ao mesmo tempo e justíssima a escolha! Se bem que os tradicionalistas (que acham que as trilhas sonoras devem ser feitas como se ainda estivéssemos em 1940), quase tiveram um ataque cardíaco. Eu só tenho uma recomendação a fazer: “help me get away from myself” (Closer).

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