Bate-blog: One King to rule them all

winners-oscars-2011-natalie-portman-christian-bale-melissa-leo-colin-firthA vitória de O DISCURSO DO REI na categoria melhor filme não foi surpresa pra ninguém, mas confesso que ainda tinha uma esperança de ver David Fincher ganhando como melhor diretor. É interessante porque na história recente da premiação, a Academia sempre via o lado da crítica na categoria “direção” por mais que premiasse o filme bem estilo “me dá meu Oscar” no maior prêmio da noite. Foi assim com Spielberg no ano de SHAKESPEARE APAIXONADO, Ang Lee no ano de CRASH e Steve Soderbergh no ano de GLADIADOR. Contudo, nem isso eles fizeram esse ano. Das duas uma: ou eles realmente acharam O DISCURSO DO REI isso tudo, ou Fincher é realmente uma pessoa antipática e mal-vista como dizem as más línguas.

A grande vilã da noite pelo visto foi Melissa Leo, espinafrada por seu discurso exagerado e artificial. Tudo bem que não foi nada elegante, mas acho que ela não merece todo o veneno que anda por aí rondando o nome  dela. O principal fator relacionado a sua vitória foi que os tão falados anúncios FYC pessoais que ela fez não afetaram sua vitória. Aguardem ano que vem  por uma foto de Hillary Swank nua na capa da Variety e do Hollywood Reporter escrita “For Your Consideration” embaixo.

No ótimo post anterior, Vinícius perguntou sobre os vencedores do passado recente do Oscar que mais e menos mereceram o prêmio. Essa pergunta não poderia ser mais relevante do que esse ano. Com a vitória de O DISCURSO DO REI, já se levantaram as vozes exageradas de “é o CRASH desse ano”, o que responde a pergunta sobre pior vencedor recente do Oscar (de todos os tempos, eu diria). Outros compararam com a vitória de SHAKESPEARE APAIXONADO, um filme do qual eu gosto e é de um ironia espetacular (o roteiro é do maior dramaturgo vivo não é à toa) e que recebe muitas críticas por ter sido vencedor no ano de um grande Spielberg (O RESGATE DO SOLDADO RYAN) e especialmente pela vitória desmerecida de Gwyneth Paltrow na categoria melhor atriz.

Na verdade, O DISCURSO DO REI pra mim tem a mais ver com vitórias de obras como O PACIENTE INGLÊS, GANDHI, CARRUAGENS DE FOGO e O ÚLTIMO IMPERADOR. Filmes bons e tocantes, mas que dificilmente entrariam no top 10 de alguém. Ano que vem poucos se lembrarão de O DISCURSO DO REI (e já que estamos no assunto, quem se lembra de GUERRA AO TERROR?), mesmo que ele esteja longe de ser um filme ruim.

E com isso me despeço desse bate-blog. Foi ótimo trocar ideias com Vinícius (que faz falta no mundo dos blogs), Raphael, Rômulo e Felipe e espero contar com mais discussões divertidas e instigantes sobre cinema ano que vem. Valeu gente!

Anderson

Bate-blog #13 – Um Olhar Sobre a Década

Bate-blog #12 – Eu desisto: O DISCURSO DO REI vai acabar levando tudo

Bate-blog #11 – Os Hipsters também amam

Bate-blog #10 – For Your Consideration: Crazy Old Lady Edition

Bate-blog #9 – A Tale of Two Cities

Bate-blog #8 – Da crítica, do público e do prazer da festa

Bate-blog #7 – Sobre o que a Academia não via

Bate-blog #6 – Há mérito em “filme de Oscar”?

Bate-blog #5 – Da sutileza que se passa por obviedade. E da obviedade que se passa por sutileza.

Bate-blog #4 – O Rei vs. o Facebook

Bate-blog #3 – You’re my queen. Inception, you’re my dream.

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Bate-blog #1 – O Cinema em 2010

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3 respostas a Bate-blog: One King to rule them all

  1. Além de tudo, O Discurso do Rei é comparado com Shakespeare Apaixonado também pela influência dos Weinsteins na divulgação do mesmo. Na verdade, a campanha pelo último foi a causa das cláusulas que proíbem festas e presentinhos para os votantes.

    Acho que a Malissa Leo foi sim prejudicada pelos anúncios, mas a história apareceu tarde demais e ela tinha não uma, mas duas concorrentes que acabaram por dividir os votos que não foram para ela. Se Hailee Steinfeld tivesse sido indicada na categoria de Melhor Atriz – como deveria ter acontecido – não sei qual teria sido o resultado. Pelo menos sei que o discurso poderia ser melhor. Vide BAFTA.

    Gostei muito da sua comparação a O Paciente Inglês e Carruagens de Fogo. O Discurso do Rei tem recebido algumas críticas de fãs fervorosos de A Rede Social que não se justificam. O filme funciona muito bem com o público e é tocante e inspirador, apesar de não mudar a vida de quem o assiste – a não ser que, talvez, você tenha gagueira.

    PS: Eu me ainda me lembro, e muito bem, de Guerra ao Terror ^^

  2. rômulo diz:

    vergonha define esses prêmios.

  3. Pingback: Rosebud é o Trenó! | O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

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