Bate-blog: Sobre o que a Academia não via

Toy-Story-3-Lotso-TourO Oscar é muito legal (leia-se: eu não assisto desde que BELEZA AMERICANA ganhou) e a estatueta por conta própria é um símbolo de vitória com o cavaleiro sobre o rolo de filme, mas eu devo dizer que realmente nunca liguei pro Oscar a partir do momento que percebi para que ele servia. O BAFTA é bem bairrista, mas o Oscar também é, a diferença é que o bairro do Oscar produz muito mais filme que o do BAFTA. John Williams atirou o tema de HARRY POTTER na sua lista de temas inesquecíveis/inconfundíveis de maneira quase expressa e, mesmo assim, a Academia não o premiou. Talvez O DISCURSO DO REI mude isso um pouco, mas, depois do Grammy de ontem, eu realmente não espero mais nada da Academia, prefiro ver o resultado.

Se os dois não fossem tão regionalistas assim, eu acho que o BAFTA iria ter muito mais destaque do que o Oscar. Como já disse René Angelil, “não importa o quanto você é bom, no show business quem decide tudo é o grande público. Se eles não gostarem de você, é o fim”. E a Academia passou a perceber isso, principalmente esse ano, por isso a lista de indicados é tão parecida com os filmes favoritos de tanta gente, inclusive das que não vão ao cinema para analisar a técnica do estilo de como o diretor queria o ângulo da câmera, mas apenas para se divertir.

Você até pode dizer que a Academia é maior que o grande público, que os cinéfilos levam a sério o Oscar, mas a sequência é lógica: se a Academia passa a contrariar o público, as pessoas param de assistir ao Oscar, se a audiência do show cai ao redor do mundo, ele para de ser exibido e lá se foi o leite ninho dos tataranetos do cinema. É óbvio que a probalididade disso é bem pequena, mas os canais que exibem a premiação (e basicamente a fazem o que ela é) não querem saber qual diretor teve a melhor técnica, mas quantos milhões de TVs estavam sintonizadas no seu canal.

Se O DISCURSO DO REI for premiado, será uma mensagem “Nós não queremos que vocês achem que somos regionalistas. Somos amigos do muuuuuuuuuundo todo!” (vejo o Elmo dizendo isso). Mas também será uma mensagem “Nem adianta inovar, a fórmula do Oscar é essa e nenhum outro vai levar nada”. Que saia justa, não? É mais fácil dar a estatueta pro TOY STORY 3 e surpreender o mundo todo logo de uma vez, caindo nas graças do grande público e crescendo no conceito de muito cinéfilo ao mesmo tempo (embora TOY STORY 3 tenha algumas linhas da velha fórmula).

Anderson, eu não espinafrei ninguém, mas eu olho pro enredo de um filme antes de querer assistir, não importa o elenco ou equipe. Eu só nunca vi nada do Gondry e nem pretendo ver. Reforçando o que nós dois dizemos, se o crédito nem é do diretor, eu passo.

Raphael

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2 respostas a Bate-blog: Sobre o que a Academia não via

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