Top 10: Melhores clipes de Michael Jackson

No final do ano passado, foi lançada no Brasil a excelente box de DVD “Michael Jackson’s Vision”, uma coleção com todos os clipes de Michael Jackson. A caixinha é super-caprichada em todos os sentidos.

Inspirado por essa coletânea, resolvi colocar aqui a minha lista dos melhores clipes do rei do pop.

10- BEAT IT

O vídeo que criou um estilo: o cantor no meio de vários dançarinos, todos realizando uma coreografia milimetricamente ensaiada. Também é o primeiro dos vários clipes de Jackson a trabalhar uma estética da violência, por mais que a mensagem ao final seja pacifista. Depois do clipe, virou clichê dos anos 80 mostrar gangues de negros com canivetes em meio a ruas escuras. A jaqueta vermelha de Michael Jackson se tornou um dos figurinos mais famosos do pop.

9- REMEMBER THE TIME

Esse clipe é tão exagerado em sua versão “Las Vegas” para o Egito antigo que acaba se tornando irresistível. Dirigido por John Singleton (por onde anda hein?), o clipe traz Eddie Murphy, Magic Johnson e Iman em pequenas participações um tanto sem-noção, mas que servem para dar o tom “over” da produção. A coreografia central do clipe é uma das mais complicadas e brilhantes já executadas por Jackson.

8- BLACK OR WHITE

Trabalhando novamente com John Landis, com quem fez o vídeo de Thriller, o clipe de Black or White é um delírio em forma de curta-metragem, misturando globalização, Macaulay Culkin, politicamente correto, Os Simpsons e violência. O efeito morphin, com os rostos de diferentes feitios mudando magicamente, marcou época. Geralmente os minutinhos finais com Jackson virando pantera e quebrando tudo são cortados, mas o clipe aparece de forma completa na coletânia “Vision”.

7- BILLIE JEAN

Dirigido por Steve Barron (de quem já falei bastante aqui), o clipe mostrou que Jackson poderia sim ser uma grande estrela (apesar da recusa da MTV em exibí-lo). Afinal, quem não quer que o chão se ilumine à medida que se caminha nele?

6- SAY SAY SAY

A deliciosa parceria entre Michael Jackson e Paul McCartney resultou num dos videoclipes mais engraçados já feitos. Em meio a uma atmosfera “Grande Depressã0”, Mac e Jack são dois vigaristas que vendem uma poção mágica enganando incautos. Mas eles são bonzinhos – é tudo pra ajudar um orfanato. Feito todo como um espetáculo de vaudeville, é um dos poucos momentos em que Jackson parecia realmente estar agindo naturalmente num clipe.

5- WHO IS IT

Um dos clipes mais diferentes da carreira de Jackson, cortesia de David Fincher. O cantor só aparece como pano de fundo para um história sobre múltiplas identidades e prostituição. O visual é típico dos comerciais que Fincher dirigia nos anos 90, com direito a muita fumaça e luz azul. Mesmo assim, acaba tendo um efeito hipnótico.

4- SCREAM

O tão famoso “clipe mais caro de todos os tempos”, dirigido pelo sempre talentoso Mark Romanek, mostra Michael e Janet Jackson se distraindo numa nave espacial. É o clipe mais espetacular sobre a solidão e o tédio de duas pessoas. Os efeitos especiais impressionam e a fotografia em preto-e-branco é belíssima. A poesia do dia a dia e a presença de elementos tecnológicos sempre foram temas da videografia de Romanek, mas em Scream ele conseguiu perfeitamente unir os dois.

3- SMOOTH CRIMINAL

Com referências a CANTANDO NA CHUVA e A RODA DA FORTUNA (o de Vincent Minelli), esse segmento do filme MOONWALKER acabou sendo reconhecido como o clipe com uma das coreografias mais espetaculares já feitas (inclusive com o passo em que o cantor se inclina totalmente pra frente). É uma das mais perfeitas reconstruções dos anos 30 já feitas e – novamente foi um figurino que definiu a carreira de Jackson.

2- BAD

Clipe favorito #22.

O que poderia vir após algo tão gradioso quanto Thriller? Que tal um curta-metragem de 17 minutos sobre a vida nas ruas, a ausência de um lar e a violência do submundo, dirigido pelo maior diretor americano? Bad, o single carro-chefe do disco de Michael Jackson após o estrondo que foi Thriller, teve um vídeo à altura. Me parece hoje interessante rever o clipe (bem como ficou marcado na videografia do cantor, contando uma história antes do evento principal – a dança) e notar como que, à luz dos posteriores acontecimentos na carreira e vida do rei do pop, ele adquire outro significado.

O video conta a história de um garoto do gueto, vivido por Michael, que ganha a chance de estudar numa escola privada e, assim parece, garantir o seu futuro longe da pobreza a que parecia estar destinado. No entanto, não sabemos bem como ele conseguiu entrar na escola nem detalhes de sua estadia lá (só sabemos que é um bom aluno devido a um comentário de um colega de estudos), porque o clipe começa com seu retorno à sua casa no período de recesso. É o tipo gueto americano, pintado num preto-e-branco sujo por Scorsese. Lá, esse rapaz que não se enquadra nem no perfil burguês da escola e nem pertence mais aos caminhos perigosos das ruas, acaba esbarrando com colegas do passado que querem de alguma forma levá-lo ao mundo do crime. Ao se recusar, ele acaba sendo encarado com a pergunta-chave do video: “Who’s bad?”

Hoje, ao pensarmos em Michael Jackson como a epítome do não-lugar da identidade (nem homem nem mulher, nem branco nem negro, nem gay nem hetero, nem velho nem novo), me parece que o video de Bad é uma bela representação da ausência de firmeza social num mundo sem regras (preceito básico de vários filmes de Scorsese, aliás).

A cena do metrô (que depois passou a ser a única a passar na tv e virou o clipe oficializado) é Scorsese brincando de WEST SIDE STORY, e as referências se encontram até mesmo na coreografia. É o mais próximo que Michael Jackson chegou de um balé moderno, e adoro a forma com que o som da gravação se alterna e interrompe o playback, novidade na época. Há detalhes ótimos, como Roberta Flack fazendo a voz da mãe de Michael, Wesley Snipes em início de carreira, o pôster de ‘Procurado’ com a cara de Scorsese (que sempra arruma um jeitinho de aparecer em vários de seus trabalhos) e a cena quase ao final, sem cortes, com Michael andando enquanto os outros bailarinos dançam ao seu redor.

Na verdade, o clipe me parece ser uma grande brincadeira de id/superego – e não é à toa que, no melhor estilo O MÁGICO DE OZ as imagens em que o cantor ’se libera’ se tornam coloridas. Um clipe libertador.

1- THRILLER

http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=391563&relacionados=S&default=S&lang=PT_BR&cor_fundo=FFFFFF&cor_titulo=777777&hd=S&swf=1&width=500&height=375

Michael Jackson – Thriller por T_Thunder no Videolog.tv.

Clipe favorito #2

Eu tenho a seguinte teoria sobre Thriller: onde quer que ele esteja passando, existe sempre uma pequena multidão pra assisti-lo. Pode ser na megastore do shopping mais chique ou na barraquinha de camelô mais fuleira – quem está passando sempre para pra assistir à obra-prima de Michael Jackson.

O poder hipnótico de Thriller reside, inicialmente, na esperteza com que lida com o tema do oculto. Indo diretamente na origem de qualquer narrativa de terror ( o  duplo atração/repulsa), o clipe transforma lobisomens e zumbis em entretenimento puro. Até aí nada de novo, pois trocentos filmes já fizeram a mesma coisa. A novidade de Thriller é colocar tudo isso misturado à música e dança, tornando o desconhecido conhecido, aproximando o nojento e sinistro do público.

O desenrolar de Thriller (um filme dentro de um clipe dentro de um sonho dentro de outro clipe) é o de uma grande paródia de filme B, e acho engraçado hoje criticarem o vídeo como sendo pouco crível, ou os efeitos exagerados. É pra ser! Thriller trabalha com todos os filmes de terror que já vimos, todas as trilhas assustadoras que já escutamos, todos os monstros com os quais já nos deparamos no escuro do cinema. E John Landis (que vinha do UM LOBISOMEN AMERICANO EM LONDRES), o papa da maquiagem Rick Baker e o grande compositor Elmer Bernstein sabiam disso. A presença de Vincent Price, aliás, é toque de mestre. Também adoro os pôsteres dos filmes de Price que aparecem quando Jackson e sua namoradinha estão saindo do cinema.

A coreografia é um caso a parte. Seria a mais famosa de todos os tempos? Acho que sim. A criatividade de fazer os passos imitarem os movimentos travados de um morto-vivo e o arrastar dos dançarinos está no imaginário de todos que assistiram ao clipe pelo menos uma vez. Mas, sinceramente, que nunca parou pra ver o clipe pelo menos mais uma vez na loja chique do shopping ou na barraquinha de camelô?

Pra ver fotos, vídeos e ler uma mega-análise sobre a coleção “Michael Jackson’s Vision” clique aqui.

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Uma resposta a Top 10: Melhores clipes de Michael Jackson

  1. livia diz:

    outro clipe muito bom dele é In the Closet com a participação da Naomi Campbell.É minha música preferida dele.Mais uma lista sensacional sua.Parabéns!!!

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