Videografia: Steve Barron

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É possível dizer que sem Steve Barron o videoclipe não seria o mesmo. O diretor é responsável pelos mais inovadores e surpreendentes vídeos do início dessa subestimada forma de arte, dando a cara e o estilo de vários dos grandes ícones do pop não só dos anos 80 mas da história da música. No clique abaixo, meus clipes favoritos desse visionário diretor.

No início, era a MTV. E o papa da MTV era Steve Barron. Como grandes nomes na direção de videoclipes eram escassos, era Barron um dos poucos nomes que as figuras mais badaladas do pop confiavam – tanto que em alguns casos ele estabeleceu parcerias sólidas com diversos cantores e bandas.

Uma das mais bem-sucedidas dessas uniões foi com o A-ha, com quem Barron fez clipes que marcaram época, sendo o maior de todos Take On Me (clipe favorito #6). Até hoje os efeitos de animação surpreendem, e a edição é fantástica – é como um pequeno filme de ação, romance e drama.

Outro grande clipe que Barron fez com o A-ha foi Hunting High and Low. Com efeitos especiais inovadores para a época e muita criatividade (especialmente na edição e na iluminaçã0), o clipe mistura muito bem o aspecto da caçada de que fala a música com o lado romântico da banda.

Bryan Adams também teve alguns de seus clipes dirigidos por Barron. O que eu mais gosto é o de Summer of 69, onde o relato de um passado em preto-e-branco se mistura a imagens de um presente de mega-star. Novamente é a edição que dita o tom, marca registrada desses primeiros videoclipes. E não é que Bryan Adams convencia como roqueiro?

O mais famoso videoclipe de Steve Barron é Billie Jean de Michael Jackson. O clipe praticamente colocou a MTV no mapa, mesmo que de acordo com a lenda, o canal se recusasse a exibí-lo (por ser um clipe de um artista negro, especificamente). A imagem de Jackson iluminando a calçada enquanto anda se tornou histórica, e Barron foi o primeiro a definir a identidade visual do cantor de forma madura depois dos Jackson 5.

No fantástico clipe de Don’t You Want Me do Human League, Barron realiza um criativo jogo de metalinguagem, onde o espectador assiste a diferentes planos simultâneos: existe um filme sendo feito, esse mesmo filme sendo assistido no cinema, e um clipe feito sobre os bastidores. Nunca fica claro o que e quando esses planos se dividem, chegando-se ao ponto do próprio clipe ser um grande making of se prestarmos atenção na última cena. Michel Gondry deve ter assistido bastante a esse vídeo.

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The Human League – Don’t You Want Me
Enviado por EMI_Music. – Clipes, entrevista dos artistas, shows e muito mais.

Num desses fenômenos maravilhosos da cultura pop, uma canção crítica sobre a MTV e de seu novo estilo de “consumir” música acaba se tornando um dos ícones do canal pelas mãos de Steve Barron. Trata-se de Money for Nothing, até hoje o clipe mais famoso do Dire Straits, principalmente pelo uso de uma das primeiras animações feitas em computador e pelo Sting cantando em falseto “I want my MTV.”

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Dire Straits – Money For Nothing
Enviado por universalmusicbelgique. – Veja os últimos vídeos de música em destaque.

Uma banda com quem Steve Barron colaborou bastante foi o Culture Club, outro ícone dos anos 80. Talvez o principal desafio tenha sido transformar a figura andrógina e um tanto ameaçadora de Boy George em algo palatável e até mesmo atraente. Um dos clipes mais divertidos dessa colaboração foi o de Karma Chameleon, colocando a banda no Rio Mississippi no final do século XIX.

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Culture Club – Karma Chameleon
Enviado por EMI_Music. – Veja mais vídeos de música, em HD!

O clipe de Do You Really Want to Hurt Me utiliza-se de uma fórmula parecida: colocar a pouco discreta banda em um ambiente que não combina em nada com ela. Nesse caso, os locais era um tribunal, um clube de jazz dos anos 30 e um spa dos anos 50.

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Culture Club – Do You Really Want To Hurt Me
Enviado por EMI_Music. – Clipes, entrevista dos artistas, shows e muito mais.

Steve Barron também realizou um dos primeiros clipes de Madonna, Burning Up, na época em que a MTV percebeu que nem só de rock viveria e começou a exibir vídeos de pop music. O videoclipe, como a maioria daqueles do início da carreira de Madonna, mostra a cantora como uma figura aparentemente frágil que sempre exibe uma forte sensualidade pela forma como dança ou fica se contorcendo. Contudo, essa passividade enganadora dá lugar uma afirmação final da figura feminina. No caso de Burning Up, isso é mostrado através do motorista do carro, que na maior parte do tempo é um homem (Ken Compton, que era namorado da cantora na época), mas no final do clipe revela-se que na verdade era Madonna que estava na direção o tempo todo.

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Madonna – Burning Up [Video]
Enviado por WBRNewMedia. – Explore outros vídeos de música.

Em resumo, Steve Barron pode ser considerado o pai do videoclipe, dando ao formato várias das características que fazem essa arte audiovisual permanecer popular até hoje.

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7 respostas a Videografia: Steve Barron

  1. Raphael diz:

    Só conheço Burning Up mesmo… :s

  2. Fernando diz:

    Adoro também seus posts sobre videoclipes !

    Com a MTV americana comemorando trinta anos em 2011, é bem capaz de rolar especiais lembrando os videos dirigidos pelo Steve Barron.

    ” Take On Me” é uma pequena obra-prima ainda nos dias de hoje. ” Billie Jean” e ” Burning Up” podem soar um pouco kitsch para uma nova geração, mas são pedaços indiscutíveis da história da música pop.

  3. Carolina diz:

    Eu vi em um documentario sobre os sucessos do Michael Jackson, que o Barron queria Billie Jean SEM NENHUM passo de dança, o MJ teve que implorar pra ele deixar só uma pontinha de dança .

  4. karine diz:

    Adoro esses clipes! Tinha uma fita em VHS com todos esses. (ainda bem que inventaram o youtube)🙂

  5. Pingback: Tweets that mention Rosebud é o Trenó! | O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó! -- Topsy.com

  6. SrtaRozz diz:

    Só te leio por feed, mas hoje tive que vir aqui: como vc consegue fazer tantos posts fantásticos assim?

    Morri de amor ao rever esses clipes!

  7. Pingback: Rosebud é o Trenó! | O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

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