Top 10 – Melhores músicas de 2010

Esse ano teve um número bem grande de músicas legais, portanto fechar essa lista em só dez escolhas foi difícil. No final, acabou tudo se resumindo àquelas que eu escuto mais no iPod. Meu top 1o é o seguinte:

10- HORMONES – Tracey Thorn

O delicioso segundo álbum solo de Tracey Thorn (a voz do Eveything But the Girl), Love and Its Opposite, traz músicas bem variadas sobre relacionamento, sejam entre casais ou entre pais e filhos. Nessa divertida “Hormones”, a cantora fala das diferenças entre uma mulher madura e sua filha pré-adolescente, e como a partir do respeito às variadas características de cada faixa etária pode surgir uma relação harmoniosa. A batidinha pop é pegajosa, e é impressionante a voz de Tracey fica cada vez melhor com o tempo.

9- ALL THE LOVERS – Kylie Minogue

Junte uma batida que daria inveja a Donna Summer, uma certa gradiosidade digna de hino das pistas de dança e os sons eletrônicos do mago do pop Stuart Price e temos uma das músicas mais animadas do ano. As letras de Kylie Minogue sempre falam da mesma coisa, mas a forma pausada que ela praticamente declama os versos (“All the lovers / that have gone before / they don’t compare to you”) é de elevar o espírito.

8- GOLDEN PLATITUDES – Manic Street Preachers

Depois do seu ótimo disco anterior (Journal for Plague Lovers) em que retomavam seus temas políticos, os Manics se voltaram pra um som mais “radiofônico” em Postcards From a Young Man, lançado esse ano. Nem por isso, contudo, abandonaram seu engajamento característico. Essa canção fala de desilusão com o passado e a perda de direitos num mundo que até mesmo as ideologias não tem mais sentido. No rock, a banda permanece como titular do posto de arauto do zeitgeist britânico. Além disso, músicas com coro sempre me pegam de jeito.

7- FUCK YOU – Cee-Lo Green

Eu adoro músicas de volta por cima, mas dificilmente elas são cantadas por homens. Cee-Lo Green abre uma exceção maravilhosa com “Fuck You”, que de cara se torna um dos hinos de fim de relacionamento. Se não bastasse a voz única e o ritmo de fim dos anos 70, a letra é um show, citando de Kanye West a Mr. T. E quem rima “Ferrari” com “Atari” só pode ser gênio.

6- TIGHTROPE – Janelle Monáe

Criar personagens ficcionais quase sempre dá errado no mundo da música. Quando o personagem é de ficção científica, fica pior ainda (tirando uma notável exceção). Janelle Monae chegou pra quebrar esse estigma com seu ambiciosíssimo disco The ArchAndroid. Só que mesmo com todo o futurismo que o disco traz em seu conceito, em “Tightrope” a cantora volta para o passado, afirmando-se como a filha que James Brown gostaria de ter tido. E que voz é essa minha gente? Quem fica parado ouvindo essa música é porque já morreu.

5- COUSINS – Vampire Weekend

Quem achava que o Vampire Weekend era só modinha do mundo indie se supreendeu com seu maravilhoso disco Contra, em que mesmo mantendo suas influências africanas e batida ska, a banda conseguiu se aproximar de um som pop irresistível. Em meio a tantas músicas bacanas, a que acaba se destacando é mesmo “Cousins”. A batida rapidinha auxiliada por uns sons exóticos e uma guitarra nervosa embalam uma letra que beira o hipster, mas que mesmo assim parece vender um estilo de vida melhor do que o que você está tendo agora.

4- THE CAVE – Mumford and Sons

Misturando um semi-country com canções que mais parecem baladas medievais, o Mumford and Sons faz um som baseado em bandolins e violinos que vai muito além de bandas que acham que fazer música folk é ficar choramingando. “The Cave” é uma música de superação, sobre lutar contra os medos e no final ainda ter esperança. É de dar orgulho ao Michael Stipe.

3- WONDERFUL LIFE – Hurts

Se o Human Nature tivesse um filho com o Duran Duran e depois ele fosse adotado pelo Depeche Mode, essa criança quando crescesse seria o Hurts. A dupla inglesa recicla o synth-pop com estilo, alcançando o ápice do espírito dos anos 80 com a viciante “Wonderful Life”, uma música com “historinha” bem no estilo de três décadas atrás. Mas o que torna a canção realmente especial é a que a tal “historinha” na verdade fala de como mesmo à beira do suicídio é possível encontrar o amor.

2- FIRE WITH FIRE – Scissor Sisters

Retornando ao estilo de seu excelente primeiro disco, os Scissor Sisters resolveram elevar suas ambições, auxiliados por Stuart Price na produção (sempre ele) e uma certa referência ao Queen. “Fire with Fire” é uma música digna do Studio 54 ou do CBGB pré-Giuliani e pré-AIDS, onde o alvorecer depois de uma noite da pista de dança traz inúmeras possibilidades (como diz a letra “Tomorrow has become today”).  É uma letra madura que além do verniz glam-rock acaba sendo o polaroid de uma época.

1- MODERN MAN – Arcade Fire

Num ano de muitos discos ambiciosos, The Suburbs do Arcade Fire chegou a um outro plano: aquele onde o conceito que guia a produção musical encontra em melodias e letras a urgência da representação de um mundo suburbano que busca um sentido que não existe (se é que já existiu). A partir desse ponto de vista, “Modern Man” parece ser o símbolo máximo desse indivíduo contemporâneo que não se cansa de repetir que é um “”homem moderno” (como num exercício de auto-convencimento) mas sabe que há algo de errado (“Something don’t feel right”). Os versos às vezes chegam a uma altura niilista (“They say we are the chosen few/ But we’re wasted / And that’s why we’re still waiting”), como se num cruzamento de Eliot e Beckett via rock and roll. A anomie suburbana nunca foi tão bem representada musicalmente.

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9 respostas a Top 10 – Melhores músicas de 2010

  1. marcus diz:

    Senti falta de alguma música do LCD Soundsystem na tua lista.

    • Anderson diz:

      Marcus: Eu acho legal e tudo, mas não consigo gostar tanto como todo mundo. E eu juro que tentei!

      Raphael: hahaha, pelo menos é oportunidade pra vc conhecer outras músicas legais… E Whip My Hair não entrou por pouco!

  2. Raphael diz:

    Só conheço All the Lovers… hasuahsuashuasuasha

  3. Raphael diz:

    O que eu vou convencer você a ouvir se eu escutar as outras 9 músicas da lista?

  4. Miguel diz:

    Parece que eu só o único fã de City With No Children do Arcade fire, a melhor do disco pra mim. No mais gosto de Fire with Fire e sou viciado em Wonderful Life.

  5. Antonio Nahud Júnior diz:

    Pulsa o cinema
    por estar vivo!
    Pulsa!
    Cheio de emoção!
    Gostei do blog. Vou segui-lo.
    Abração

    http://www.ofalcaomaltes.blogspot.com

  6. Pingback: Necessários da Semana | Necessárias

  7. Lucas diz:

    Pô, o refrão de Cousins foi o mais ‘catchy’ que eu já escutei EM ANOS. Vicia mesmo.
    Janelle foi uma das maiores surpresas do ano, pra mim. Ouvia muuuito falar nela mas nunca procurei saber sobre. ótima.
    Fuck You é boa pra cantar dirigindo. kkkk’
    E Wonderful Life é coisalindadedeus, hands down!

    ps: Não consigo gostar de Kylie, não consigo. Tenho um sério bloqueio. =D

  8. Pingback: Cultura persuasiva « País feito de sorvete

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