Um parágrafo

capa-2666

Morini (…) já tinha iniciado uma viagem (…) em torno de uma resignação, uma experiência em certo sentido nova, pois essa resignação não era o que comumente se chama resignação, nem mesmo paciência ou conformismo, mas era antes um estado de mansidão, uma humildade singular e incompreensível que o fazia chorar sem mais nem menos e em que sua própria imagem, o que Morini percebia de Morini, ia se diluindo de forma gradual e incontida, como um rio que deixa de ser rio ou como uma árvore que pega fogo no horizonte sem saber que está queimando.

Ontem li esse parágrafo no romance 2666, de Roberto Bolaño, e ele me disse muito. Estou ainda na página 115 (o livro tem 840), mas desde já é um dos melhores romances que já li.

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