Videografia – Diretores: Mark Romanek

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Mark Romanek é um dos meus diretores de videoclipe favoritos, tendo realizado verdadeiras obras-primas com os maiores cantores/bandas do showbiz. Como parece ser natural, Romanek fez uma transição bem-sucedida para o cinema com o filme RETRATOS DE UMA OBSESSÃO, o qual achei interessante (até porque várias das características visuais do diretor foram mantidas).

No entanto, minha grande expectativa mesmo é para o segundo filme de Romanek, NEVER LET ME GO, baseado em um dos melhores livros dos últimos tempos, de autoria de Kazuo Ishiguro (o mesmo de VESTÍGIOS DE DIA). Estrelando a queridinha da vez Carey Mulligan, a promessa Andrew Garfield e Keira Knightley (curiosamente em papel de coadjuvante), a história (sobre uma escola na Inglaterra que esconde um segredo que beira o sci-fi) parece ser perfeita para o estilo de Romanek.

Mas enquanto o filme não chega, vale a pena fazer um apanhado dos melhores videoclipes desse promissor cineasta.

O primeiro clipe de Mark Romanek a chamar a atenção para seu cuidado na produção de videoclipes foi “Constant Craving”, até hoje o maior sucesso da maravilhosa K.D. Lang. O clipe se utiliza de um teatro de vaudeville e suas apresentações um tanto incomuns para, com uma linda fotografia em p&b, tornar a cantora um figura entre o alternativo e o mainstream.

“Are You Gonna Go My Way”, um dos clipes mais conhecidos de Lenny Kravitz, é o primeiro trabalho de Romanek que o fez ficar conhecido como um diretor voltado para o hi-tech e uma estética moderna. Partindo do mais do que manjado conceito de uma “rock party”, o clipe inova por causa da sua estrutura de iluminação do teto que acompanha o ritmo da música, além da ótima edição.

lenny-kravitz-romanek

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Com Madonna, Romanek tem duas famosas contribuições em que associa sua estética altamente tecnológica com um visual clean que depois vai se estar presente em muitos de seus clipes. O primeiro é o belíssimo vídeo de “Rain” (clipe favorito #41)– que na verdade é um meta-videoclipe, já que dentro dele existe uma outra produção sendo dirigida por Ryuichi Sakamoto (!). O look do vídeo é de cair o queixo, graças especialmente à técnica de ser sido filmado totalmente em preto e branco e depois colorizado na pós-produção. A fotografia é do grande Harry Savides, cinematógrafo de praticamente todos os filmes de Gus Van Sant.

Outro grande trabalho de Mark Romanek com Madonna é o extremamente onírico Bedtime Story, onde as inúmeras referências surrealistas são inseridas num universo de origem sci-fi. É um dos clipes mais enigmáticos de todos os tempos, e o resultado realmente é uma complexa obra de arte. O vídeo hoje faz parte da coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York.

Outro vídeo de Romanek que também tem a honra de fazer parte da coleção do MoMa é o polêmico “Closer”, o primeiro clipe que o diretor fez com o Nine Inch Nails. Utilizando uma estética que só pode ser descrita como doentia, Romanek coloca Trent Reznor num mundo de pesadelo que mistura imagens sexuais, políticas e religiosas exaltando o que há de mais sujo e depravado no homem. Entre os animais mais nojentos que você pode imaginar, máscaras sadomasô e uma cabeça de porco giratória, não existe imagem mais dantesca que a do macaco crucificado. Foi uma mudança de estilo para Romanek, adotando aqui um visual sujo pouco característico.

Ainda com o Nine Inch Nails, Romanek realizou o mais do que gótico “The Perfect Drug”. Num delírio de absinto infernal, Trent Reznor tem visões com duas japonesas pra lá de bizarras e uma criança sinistra (que parece ser o filho dele no clipe).

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Provavelmente o clipe mais famoso dirigido por Mark Romanek seja “Scream”, o excelente vídeo que marcou o dueto de Michael e Janet Jackson. Até hoje o clipe permanece como o mais caro da história, tendo custado por volta de US$ 7 milhões. Retornado ao p&b e a sua estética futurista, Romanek coloca os irmãos Jackson sozinhos em uma espaçonave sem muito o que fazer, a não ser curtir todos os prazeres ociosos que a tecnologia pode proporcionar. Novamente são usadas referências do mundo da arte e da cultura japonesa.

Retornando ao estilo simplista e elegante que lhe é característico, Mark Romanek realizou dois vídeos para os nomes mais fortes do indie-pop de meados dos anos 90: Beck e Fiona Apple. A música “Devil’s Haircut”, do já clássico Odelay de Beck, serve de fundo para um passeio do cantor por uma Nova York semi-deserta. Encarnando um cowboy pós-moderno, ele anda pelas ruas carregando uma boombox e apreciando a vista, enquanto hiper-closes de seu rosto são mostrados. No final, vemos que ele estava o tempo todo sendo obervados por uns espiões esquisitos. Não entendo o direito o significado desses closes, mas o efeito visual é belíssimo.

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Já no clipe de “Criminal”, Romanek parece emular o estilo daqueles polêmicos anúncios da Calvin Klein que foram proibidos acusados de pedofilia e ‘soft porn’. O vídeo é sexy, mas tem algo meio perturbador, especialmente pela magreza exagerada de Fiona Apple e pelo uso do canhão de luz que vai mostrando a cantora e o local de uma possível noite de sexo com mais de duas pessoas. É interessante que o rosto de mais ninguém é mostrado, dando um aspecto voyeurístico à produção.

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Voltando com toda à força ao estilo tecnológico e clean, Romanek realizou dois vídeos para o ótimo álbum de estréia de Macy Gray, um dos mais badalados do fim dos anos 90. O primeiro foi “Do Something”, que coloca a cantora numa espécie de Eden Project new age cercada de crianças, nudistas, velhinhos e um visual teletubby. A predominância do branco e o visual arrojado dão um ar modernoso ao clipe.

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O segundo clipe também focado na simplicidade de Romanek é o fofíssimo “I Try”, com Macy Gray acordando num quarto de hotel desolada e ao final do vídeo encontrando seu namorado. O olhar de Romanek é perfeito para captar a poesia do dia-a-dia, como a chegada do metrô à estação ou uma xícara de café com leite.

Um dos mais belos trabalhos de Romanek foi dirigindo o clipe de “Hurt” (clipe favorito #32), de Johnny Cash. Nessa versão incrivelmente superior da canção dos Nine Inch Nails, Romanek optou por um estilo biográfico, filmando a produção na casa do próprio cantor. A melodia melancólica combina com o visual soturno do vídeo, especialmente porque Cash tinha há pouco tempo tinha perdido a esposa e viria a morrer logo depois. O contraste dos cortes rápidos das imagens atuais com as imagens de arquivo tornam tudo ainda mais sensível.

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Dos clipes mais recentes de Romanek, o mais interessante é sem dúvida “99 problems” de Jay-Z. Totalmente em p&b, o clipe mostra “a fauna e flora” do Brooklyn, de grupos de break-dance a rabinos, incluindo até uma passadinha de Vincent Gallo. O clipe criou certa polêmica por mostrar ao final uma cena em que o rapper é morto por uma rajada de balas.

Vamos torcer que mesmo com o sucesso no cinema, Romanek continue fazendo de vez em quando clipes tão espetaculares quanto esses.

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Clipografia – Diretores: David Fincher

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8 respostas a Videografia – Diretores: Mark Romanek

  1. karine diz:

    Execelente post! Eu conhecia os clipes, mas não sabia o nome do diretor. Ele é realmente muito bom!

    Eu comprei o Não Me Abandone Jamais para ler depois que vc falou desse livro aqui, e adorei.🙂 Agora eu também aguardo o filme ansiosamente.

  2. Xico diz:

    Acho que já perdi a conta de quantas coisas eu comprei/baixei/assisti/li/ouvi lendo o Rosebud. Desde “Mistérios na carne”, passando por “Vampire Weekend” e indo até “Revolutionary Road”, posso dizer que o Anderson e demais galera do Rio (Clarice e Gabi) são minhas principais referências pop’s.

  3. Rapaz, que trabalho esse post deve ter dado… Eu que sei…
    Ficou ótimo.
    Romanek talvez seja meu diretor de clipe preferido. Ele e Gondry.

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