JUÍZO FINAL

Doomsday_poster

Eu acredito que qualquer filme de ficção científica, por pior que seja, sempre apresenta uma idéia interessante. Portanto, quando li que o diretor Neil Marshall (dos ótimos DOG SOLDIERS e ABISMO DO MEDO) ia fazer um filme do gênero, fiquei todo empolgado. No entanto, a maioria da crítica disse que JUÍZO FINAL (“Doomsday” no original) era uma bomba e que a história não fazia sentido.

E qual não foi a minha surpresa ao ver que JUÍZO FINAL é uma das produções mais divertidas do ano! Na verdade, o filme é um grande apanhado não só de alguns dos elementos clássicos da ficção científica (vírus mortal, sociedade distópica, futuro apocalíptico, história alternativa) mas também de alguns  filmes marcantes do gênero que são homenageados/copiados/imitados em inúmeras cenas: “olha ali uma cena de ALIENS!” “E um momento inspirado em FUGA DE NOVA YORK!” “Agora sei onde todos os extra de MAD MAX foram parar!” “É um vírus  igual  ao do EXTERMÍNIO?!”

Não, não é o mesmo vírus de EXTERMÍNIO – até porque zumbi é só o que falta em um filme que tem Bob Hoskins, punks canibais, cavaleiros medievais e um escravo masoquista todo vestido de látex. JUÍZO FINAL começa falando de um vírus mortal que se alastra pela Escócia. Para proteger o resto do Reino Unido (e o mundo), é construído um muro que isola a Escócia do restante da ilha (o roteiro é esperto o suficiente para mencionar a Muralha de Adriano). Anos depois, a epidemia mortal ressurge em Londres, ao mesmo tempo em que se descobre que existem alguns sobreviventes na Escócia. Ou seja: além do scotch, do kilt, e da gaita de foles, os escoceses ainda tem a cura que pode salvar a humanidade. O governo britânico manda então à Escócia um grupo de elite, comandado pela super ‘badass’ Major Eden Sinclair (Rhona Mitra, a diva da porradaria), para conseguir a tal cura. E nisso estamos ainda com 2o minutos de filme!

A preparação e a chegada dos soldados ingleses à Escócia é feito com um suspense fantástico, e as referências a ALIENS são óbvias, mas também perfeitas. Só que ao invés de monstrengos com sangue ácido, o que Rhona Mitra e companhia encontram do outro lado do muro é uma sociedade caótica comandada por punks canibais (chegou o momento MAD MAX!). É preciso dizer, aliás, que o filme é violentíssimo e não brinca em serviço quando o assunto é cabeça explodindo, sangue jorrando e um pequeno banquete de carne humana. Mas o que torna JUÍZO FINAL tão divertido é que Neil Marshall é um diretor de visão, que sabe das inúmeras referências a que remete e também consegue usar da estetização da violência a seu favor.

Por mais sangue que haja, há um sempre um elemento altamente irônico no filme que ao invés de causar repulsa impressiona como fenômeno estético. Além dos mais, sempre que o roteiro chega às raias do exagero (e acreditem, isso acontece várias vezes), há uma certa pausa para um alívio cômico como para dizer ao público: “Eu sei que isso é exagerado, portanto divirtam-se”. Um dos melhores exemplos é quando o grupo de canibais, prestes a devorar uma vítima, canta e dança ao som de…Fine Young Cannibals!

Depois disso, JUÍZO FINAL vira um filme medieval – não me pergunte como, vocês vão ver – com a presença especialíssima de Malcolm MacDowell e sua cara de maluco. Há até uma cena que remete a GLADIADOR, mas na Idade Média! Mesmo com toda essa mistureba, impressiona como Neil Marshall tem um talento especialíssimo para cenas de ação que remetem imediatamente a James Cameron. A sequência de perseguição de carros é de literalmente tirar o fôlego.

Em resumo, JUÍZO FINAL pode ser chamado de ‘colcha de retalhos’, mas no melhor dos sentidos. Diverte muito e ainda faz pensar em várias questões da ficção científica como gênero cinematográfico. E por que Rhona Mitra não vira logo uma mega-estrela?

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2 respostas a JUÍZO FINAL

  1. Lucas B. diz:

    Adorava a Rhona Mitra em Boston Legal, e adoro os dois outros filmes do Marshall, então com certeza vou assistir Juizo Final, ainda mais depois de ver tantas referências fodas.

    No aguardo de sua crítica de District 9 (filme que adorei).

  2. Valéria diz:

    Já está em Palmas? è bem capaz de eu ir pra lá só pra ver hehehe Ah, já te falei de “Tempestade” um filme-catástrofe inglês que tem todos os ingredientes de filmes apocalípticos ( ainda mais agora com o aquecimento global ) mas se mantém saxonicamente fiel aos finais não-hollywoodianos ( como tb o episódio final de Space Island One ). Vale a pena conferir, os dois…

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