Mad Men: melhor episódio da série?

O episódio dessa semana de Mad Men, o terceiro da terceira temporada, talvez tenha sido o melhor da série inteira. Trabalhando com diferentes contextos e sub-temas, lançou luz sobre a personalidade de diferentes personagens da forma única que só a série consegue fazer: com uma sutileza inacreditável (que às vezes requer ver o episódio novamente), através de olhares, gestos e frases ações um tanto enigmáticas.

Além disso, o episódio foi entretenimento puro, com direito a muita música e dança. As imagens em particular são tão ricas que não resisti em pegar uns screencaps.

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Betty se arruma para ir à festa de Roger Sterling e acho interessante como o fato de sua persona de ‘mulher grávida’ e sua aparência interessa muito mais a ela do que o fato de ter um filho. Não poderia realmente ter melhor esposa para Don Draper, o rei da manipulação das aparências. Não é à toa que ele fala para Sally prontamente: “Vai assistir televisão!”

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O momento mais comentado do episódio foi sem dúvida Roger Sterling cantando para sua jovem noiva em ‘blackface’, ou seja, com o rosto pintado como um negro. Típica representação humorística dos afro-americanos em cinema e teatro até mais ou menos os anos de 1950, se tornou uma das ofensivas formas de racismo do show-business. Corajoso da série mostrar a cena. Vamos ver se nessa temporada teremos um tratamento mais especial com relação à tensão racial dos anos de 1960 – e se o comportamento da empregada dos Drapers é uma indicação, parece que a questão dos direitos civis vai ser parte da temática.

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Um momento um tanto bizarro é aquele em que um convidado da festa pede para tocar a barriga de Betty. Como eu, alguns se lembraram da cena de DE OLHOS BEM FECHADOS em que um homem mais velho dá em cima de Nicole Kidman. Ecos kubrickianos em Mad Men?

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A dança de Pete e Trudy também parece ter saído do nada, mas eu aposto qualquer coisa que os dois ensaiaram loucamente em casa aqueles passos de charleston pra chamar atenção na festa. E tendo de dividir as atenções (e o cargo) com Ken, Pete com certeza quer mostrar que é bom em tudo. Mas o desapontamento de Trudy quando o assunto de ter filhos é levantado mostra que nem tudo é festa no lar dos Campbell.

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A sub-trama da ‘maconha no escritório’ também foi excelente, especialmente por desenvolver ainda mais essa ‘nova Peggy’ que está surgindo na terceira temporada. “I’m Peggy Olson, and I’d like to smoke some marijuana” já é a melhor frase da série.

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De longe, a parte do episódio que eu achei mais densa foi o jantar na casa de Joan. Apesar da tensão imensa (recepcionar e agradar os colegas de trabalho de seu marido, o médico/estuprador), ela tinha que aparentar suavidade e calma, além de se portar como uma típica dona-de-casa assexuada, tudo que ela não é. Christina Hendricks tem mais um grande momento na série, em cenas curtas mas que implicam questões de classe e sexismo.

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Apesar do diálogo afiadíssimo da sequência do jantar (“I don’t want to argue over this” / “Then stop talking”), nada é mais mortal que o olhar de Joan para o marido quando ela descobre, em uma conversa coloquial, que médico dos seus sonhos não é tão bom assim. É uma cena aparentemente trivial, mas a edição inteligentíssima e a fluidez dos atores, marca a grande revelação e decepção da personagem.

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Mas o grande momento de Joan foi sem dúvida quando ela cantou C’est Magnifique. Novamente, a personagem adota uma persona (a dona-de-casa de vários talentos) para agradar o marido, numa cena que de certa forma pode até ser comparada ao estupro da temporada passada. Apesar de incrivelmente sexy, a cena é bem triste. Acho interessante como todo o apartamento tem tons vermelhos e a fotografia os realça, mas nada poderia ser mais frio.

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Qual vai ser o futuro de Roger com sua nova esposa que já está mostrando as garras? Será que vai se dar conta do absurdo da situação em que se meteu? E podemos dizer, assim como Don, que “he is not happy, he is foolish”?

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O episódio terminou com um belo (e enigmático) beijo entre Don e Betty. Seria a reconciliação definitiva do casal? Ou um breve momento de tranquilidade antes da tempestade que virá a seguir? Afinal de contas, o movimento pelos direitos civis e o assassinato de Kennedy estão se aproximando. Ou foi à toa que Sally estava lendo “A Queda do Império Romano”?

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2 respostas a Mad Men: melhor episódio da série?

  1. Priscila diz:

    “Mas o grande momento de Joan foi sem dúvida quando ela cantou C’est Magnifique. Novamente, a personagem adota uma persona (a dona-de-casa de vários talentos) para agradar o marido, numa cena que de certa forma pode até ser comparada ao estupro da temporada passada. Apesar de incrivelmente sexy, a cena é bem triste.”

    Achar uma cena de estupro ‘incrivelmente sexy’… Só você mesmo!!!!!!! Essa cena SÓ poderia ser terrível, além de outras coisas.

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