Retrato retocado

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Sendo a adaptação de um dos meus livros favoritos, estou com muita expectativa por DORIAN GRAY desde que o filme entrou em produção. A direção está por conta de Oliver Parker, um notório fã de Oscar Wilde que já dirigiu versões de duas comédias do autor: UM MARIDO IDEAL foi um ótimo filme, mas o mesmo não pode se dizer da versão de The Importance of Being Earnest (que no Brasil recebeu o título de ARMADILHAS DO CORAÇÃO).

Parker agora se aventura no único romance de Wilde, uma obra famosa não só por seu destaque na história da literatura mas também pelo papel decisivo que teve no julgamento do autor por seus atos ‘imorais’. A trama do jovem de notável beleza que nunca envelhece, enquanto um quadro com uma pintura sua vai se transformando, é uma brilhante representação do arquétipo da busca do homem pela eterna juventude. Mas é claro que a perfeição interior vem acompanhada de uma implacável derrocada moral, onde a alma do personagem é consumida.

Quando Ben Barnes (o Príncipe Caspian do segundo CRÔNICAS DE NÁRNIA) foi anunciado como Dorian, fiquei com o pé atrás. O ator pode ser muito bonito, mas é totalmente diferente do Dorian descrito por Oscar Wilde no romance, que tem cabelos loiros encaracolados, realçando sua perfeição angelical. De cara, me lembrei de algumas terríveis alterações feitas nas características físicas de ENTREVISTA COM O VAMPIRO (especialmente no vampiro Armand, que com Antonio Banderas parecia um travesti). Mesmo assim, ENTREVISTA COM O VAMPIRO é o filme que eu gosto bastante, e a alteração na aparência de Dorian não é um crime tão grave.

Contudo, logo depois descobri que o roteiro incluía uma personagem que não existe no livro: uma filha (!) para o personagem de Lord Henry (um dos grandes personagens da literatura mundial, vivido no filme por Colin Firth). A função dessa nova personagem (interpretada pela ótima Rebecca Hall) ainda não está clara pra mim, mas é bom que funcione, porque ter um filho vai de encontro a várias das idéias propagadas pelo próprio Lord Henry.

Hoje, vendo o trailer de DORIAN GRAY, percebi qual será o tom do filme. Dêem uma olhada:

O livro O Retrato de Dorian Gray é um exemplo notório do “gótico vitoriano” mas também é um ácida crítica social da Inglaterra do século XIX, com o humor refinado característico de Wilde. Pelo trailer, no entanto, parece que veremos a Londres vitoriana de SWEENEY TODD ou de DO INFERNO, e realmente me preocupa que uma história tão complexa seja transformada em um mero conto de horror. Além do mais, alguns elementos que são sugeridos no livro de forma sutil (o que faz Dorian com toda a liberdade que passa a ter quando descobre que nunca envelhecerá?) parece que serão mostrados no filme na forma mais banal possível.

Ainda tenho expectativas para DORIAN GRAY, mas espero que não seja mais uma daquelas adaptações decepcionantes cuja desculpa de “atualizar a história para o público do século XXI” seja usada para realizar um mau filme.

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6 respostas a Retrato retocado

  1. Também é um dos meus livros preferidos e por isso estou levemente ansioso pelo filme, mas… Realmente não espero nada, acho que as sutilezas da literatura do Oscar Wilde nunca conseguirão ser expressadas em um filme, acho que é muita sensibilidade e interpretação pessoal para ser trancada na visão de um diretor… Mas quem sabe? rs…

    Abraços…

  2. O livro foi tema do meu TCC – adoro Oscar Wilde, tudo dele. Mas não curti o trailer, não.😦

  3. Adoro o livro, mas achei o trailer pra lá de esquisito… de qualquer forma, estou ansiosa pelo filme.😉

    • Anderson diz:

      Camila: realmente tbm achei o trailer estranho e me parece não combinar com o livro. Mas é o estilo q vão fazer, vamos ver se dá certo.

      Karine: Essa da filha do Lord Henry foi a pior coisa pra mim, só quero ver no que vai dar.

  4. karine diz:

    Eu adoro o livro. Filha do Lord Henry?? Why??
    Aquela explosão no fim do trailer me deixou com algumas reservas para ver o filme.

  5. Também não espero muita coisa… aprendi a não esperar muito de adaptações hollywoodianas dos clássicos da literatura… E também preferia um Dorian Gray loiro, como o original. A ver.

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