Top 10 – Os filmes da minha vida

Esta lista representa mais do que os meus filmes preferidos – são os filmes da minha vida, aqueles que mudaram a minha própria atitude com relação ao cinema. Estou revendo todos eles, para logo depois colocar minhas impressões aqui.

10 – DE VOLTA PARA O FUTURO 2

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A Experiência:

Posso dizer que o primeiro DE VOLTA PARA O FUTURO foi o primeiro filme ‘não-infantil’ que eu vi. Assisti em VHS por causa de uma prima mais velha, que era fã. Eu, que estava acostumado a filmes da Disney e dos Trapalhões, fiquei maravilhado com tudo. Portanto, em Janeiro de 1990, quando pude assistir à parte 2 no cinema, a expectativa era gigante. Ainda assim, fiquei em dúvida: na porta do antigo cinema do Barra Shopping, fiquei indeciso entre DE VOLTA PARA O FUTURO 2 e OS TRAPALHÕES NA TERRA DOS MONSTROS (aquele em que moram umas criaturas na Pedra da Gávea!). Pra minha felicidade (e da minha prima também), escolhi a primeira opção. A minha paixão por ficção científica, em especial viagens no tempo, começou de verdade com DE VOLTAR PARA O FUTURO 2. E ao final, que delícia foi ver o trailer já do terceiro filme (já que as partes 2 e 3 foram filmadas ao mesmo tempo).

O Filme:

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Me assusta como DE VOLTA PARA O FUTURO 2 é um filme extremamente complexo, mas Robert Zemeckis e o roteirista Bob Gale fazem tudo parecer muito simples. É talvez a mais intrincada produção sobre viagem no tempo do cinema – mistura passado, futuro, presente, presente alternativo e passado alternativo. É uma estrutura em cinco dimensões onde cada linha do tempo se interpõe a outra, fazendo com que os personagens várias vezes tenham que se deparar consigo mesmos mais jovens ou mais velhos.

O primeiro DE VOLTA PARA O FUTURO, por mais perfeito que seja como cinema de aventura, usa a questão da viagem do tempo como apenas uma desculpa para ilustrar a sociedade norte-americana dos ano 50, ano em que a cultura dos EUA se consolida como dominante e a identidade pop do país se define. Os anos 50 são o próprio símbolo da nostalgia norte-americana, e o primeiro filme brinca com isso, descontruindo alguns estereótipos sobre o período.

Já nessa segunda aventura, a questão da viagem do tempo está no centro da história, fazendo com que o roteiro (e os atores) tenha um talento especial em desenvolver a narrativa e ao mesmo tempo explicar para o espectador a ordem dos eventos à medida em que eles ocorrem. Para isso existe, por exemplo, a famosa cena da explicação de Doc Brown em seu laboratório no 1985 alternativo. Nesse momento, o roteiro explica (como se fosse uma aula, com quadro negro e tudo) como funciona a viagem no tempo e o próprio conceito de história alternativa. Essa cena sozinha serviu de ponto de partida para inúmeros filmes de viagem no tempo que depois seriam feitos em Hollywood.

Uma outra coisa que me surpreende é a qualidade e o carisma de todo o elenco da série, em especial nesse filme. De Michael J. Fox (fazendo vários papéis) e Christopher Lloyd (brincando com o clichê do cientista louco), até os excelentes Thomas F. Wilson e Lea Thompson, o elenco dá vida aos personagens (e suas diferentes encarnações temporais) de forma insuspeita para um filme de aventura juvenil.

É difícil escolher qual a melhor parte do filme, já que cada uma delas é perfeitamente construída como se fosse uma história em si, por mais que faça parte do todo. Atualmente, é divertido ver o futuro de 2015 pensado por Zemeckis e cia, mas acredito que o próprio diretor tenha pensado muito bem em como a futurologia no cinema se torna datada no mesmo momento em que é inventada. Daí a divertida piada do “Café 80s”, com seus Michael Jacksons e Reagans robóticos. Ou seja, a melhor piada são os anos 80 – quando o filme foi feito. Aliás, existe filme com melhor uso de ‘product placement’? Do tênis Nike à Pepsi, a questão do consumo parece ser central a esse 2015 – previsão pra lá de certeira.

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Há na história DE VOLTA PARA O FUTURO 2 uma questão muito importante abordada de forma sutil: toda os problemas do filme surgem graças à ambição desmedida de Marty e sua necessidade de sucesso. Mais do que sucesso – dinheiro. Ao chegar em 2015, não é à toa que ele pergunta (duas vezes) para Doc Brown se o seu ‘eu’ do futuro ficou rico. E de todas as coisas legais que ele poderia levar como “souvenir do futuro” (um dos vários e divertidos anacronismos da série, incluindo seu título), ele decide pelo almanaque esportivo que o ajudaria a ficar milionário. De forma desonesta, certamente, mas isso não o impede. É interessante porque Biff (o vilão) pensa da mesma forma que Marty (o herói). A diferença é que Biff é bem-sucedido, e Marty não. Quem garante que o 1985 com um Marty milionário seria melhor que o de Biff? Nunca saberemos. De qualquer forma, o presente com o Biff dono da cidade, em divertida caricatura de Donald Trump, talvez seja o ponto alto do filme. Nessa parte, Zemeckis brinca de A FELICIDADE NÃO SE COMPRA, e Marty vê o que teria acontecido se seu pai tivesse morrido e Hill Valley se tornasse uma cidade dominada pela corrupção.

Quando o filme retorna para 1955, é um golpe de mestre mostrar as mesmas cenas do primeiro filme com um diferente ponto de vista, onde o passado se torna alternativo para Doc Brown, Marty e nós espectadores. E uma cena que me arrepia até hoje é quando, logo depois que o Doc Brown de 1955 consegue enviar o DeLorean para 1985, Marty aparece correndo ao fundo e sobe a maravilhosa trilha de Alan Silvestri.

DE VOLTA PARA O FUTURO 2 é o tipo de filme que se pego passando na tv, sempre paro pra ver. Fico surpreso como, mesmo depois de assistir várias vezes, ainda consigo encontrar coisas novas e me emocionar, mesmo sabendo praticamente todas as falas e cenas. É um dos filmes da minha vida.

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3 respostas a Top 10 – Os filmes da minha vida

  1. Classicaço da sessão da tarde! Uma pena o que aconteceu com o Fox.😦

  2. Nossa, eu AMO “De Volta Para o Futuro 2”, acho até um pouco melhor que o primeiro, por isso mesmo foi ótimo vê-lo em sua lista. Realmente tem um roteiro muito inteligente e que parece bem simples para o espectador, o que por si só já é um grande mérito do filme.

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