Were the World Mine

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Desde que vi o trailer de WERE THE WORLD MINE, fiquei louco de vontade de ver o filme. Um musical gay com espírito de conto de fadas baseado em Shakespeare? Count me in! Por um lado, essa produção super-independente cumpre o que promete e ainda reserva algumas surpresas, mas por outro lado o desenvolvimento da história deixa a desejar.

Clichês abundam na história de Timothy, o rapaz gay da ‘high school’ que sofre com os xingamentos dos ‘bullies’ do time de futebol americano. Timothy é apaixonado por Jonathan, um dos poucos caras da escola que o tratam com respeito. Quando uma professora (que parece passar o filme todo numa viagem de LSD) propõe uma encenação da peça “Sonhos de uma Noite de Verão” de Shakespeare, é que começa a revolução nao só na vida de Timothy mas também em toda a cidadezinha onde ele mora.

Quem leu a peça de Shakespeare (ou viu o filme bonitinho de 1999 com a Michelle Pfeiffer) lembra que o mote principal do enredo é o líquido mágico criado pelo fauno Puck para fazer os casais da história se apaixonarem. Depois de tocada pela poção, a pessoa se apaixonaria pelo primeiro que visse. No filme, Timothy encontra no texto da peça a fórmula para o líquido mágico e o usa não só em seu amado Jonathan, mas na população inteira da cidade. É claro que, para as intenções nada convencionais do filme, as pessoas depois de terem a poção espirrada no rosto sempre vêem logo uma pessoa do mesmo sexo – e a cidade inteira se torna homossexual.

Essa é só uma das coincidências de WERE THE WORLD MINE que a princípio são divertidas mas depois acabam atravancando o roteiro. O filme parece mais interessado em ser um manifesto anti-homofobia do que em contar a história dos seus personagens principais, o que deixa tudo muito engessado. O ótimo Tanner Cohen, que interpreta Timothy, dá verossimilhança a um papel tão irreal, mas a história não contribui para que ele se desenvolva completamente. Até mesmo depois que ele consegue o que tanto queria (o amor de Jonathan), o personagem não sabe o que quer – assim como o filme.

O ponto alto da produção são as ótimas sequências musicais. As letras das músicas são tiradas praticamente sem alterações da peça de Shakespeare, e com melodias inspiradas empolgam. Claro que o orçamento barato da produção não garante um mega-espetáculo estilo MOULIN ROUGE, mas a criatividade e as belas vozes compensam.

O final é meio previsível, reforçando a idéia do filme como um grande conto de fadas. Mas para uma produção tão preocupada com a realidade da discriminação, fica a sensação de que até para uma história em que a mágica é parte crucial da narrativa, falta mais preocupação com os ‘humanos’ e menos com as ‘fadas’.

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Uma resposta a Were the World Mine

  1. valeria diz:

    sei lá, acho que o file deve ser muito bom se é como vc fala: a gente quer tanto uma coisa e quando conseguqe não sabe o que fazer com ela. Resumo da ópera: não nos permitimos a felicidade ( desculpem a filosofia de botequim…)

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