Top 50 – Videoclipes favoritos

4- Losing my Religion (R.E.M.) – Dir.: Tarsem Singh

REM - Losing my religion

Como a mais contemporânea forma de arte que tem a imagem como sua estratégia principal, o videoclipe volta e meia pega emprestado características de outras produções artísticas visuais já bem consolidadas, como o cinema e a pintura. Muitos diretores já tentaram usar a tela de TV da mesma forma que uma tela em branco de um pintor, mas na maioria das vezes o resultado que sai é artificial, pra não dizer tosco.

Contudo, o exemplo mais perfeito da inspiração da pintura no videoclipe é em “Losing my Religion”, o megahit do R.E.M. dirigido por Tarsem Singh. Inspirado por Caravaggio, Bosch e figuras religiosas (hindus e cristãs), o clipe é uma tentativa surreal de captar a letra metafísica do vocalista Michael Stipe. Gosto da maneira como o clipe consegue ser sério e solene (o anjo velho, o São Sebastião homoerótico) ao mesmo tempo que altamente irônico (o playback incompleto de Stipe característico de vários clipes da banda, sua dancinha à la Ian Curtis observada de cara feia por Peter Buck). É inegável o talento visual de Singh – que depois usaria seu estilo característico no cinema.

Repleto de símbolos indecifráveis e outros nem tanto (há uma alusão muito interessante à Garcia Marquez) que só servem para enriquecer o arsenal imagético do clipe, “Losing my Religion” é um dos poucos vídeos cuja contemporaneidade permanece intocável.

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4 respostas a Top 50 – Videoclipes favoritos

  1. Camila diz:

    É realmente maravilhoso e arrepiante esse clipe como as próprias abras de Caravaggio.
    Vc saberia me dizer quais são os deuses hindus que aparecerem no clipe? Eu não sei sobre suas religiões e fiquei sem compreender as cenas em que eles aparecem…

    • Anderson diz:

      Olha, tbm não sei sobre o significado exato dos deuses hindus não. Mas mesmo q o seu significado não esteja associado ao clipe, acho q esteticamente fica mto bonito.

  2. Fabrício diz:

    Esse clipe realmente é fantástico, mistura com maestria artes tão distintas, uma dupla de artistas que não foram citados, mas que o clipe faz referência, são os franceses ‘Pierre et Gilles’, cujo a obra é repleta de figuras religiosas e homoeróticas😉

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