A Nova Elite Cultural (pt. 3)

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Recentemente, eu ganhei uma camiseta com a seguinte frase estampada: “Everything you like I liked five years ago” [Tudo que você gosta eu gostei há cinco anos atrás]. Curiosamente, eu achei essa fase sintomáticada chamada “nova elite cultural”. Há uns tempos atrás, tal afirmação representaria as constantes ondas revivalistas que vez por outra tomam conta da cultura de massa: seja uma música do ABBA, seja a paixão pelos filme B. Assim sendo, o que um público novo achasse ótimo, na verdade já teria sido moda e cool há muito tempo. Nesse caso, o tempo passado teria mais peso que o conhecimento artístico.

Atualmente, por outro lado, a estampa da minha camisa tem a ver com uma nova forma de consumir cultura. Isso porque quem diz que gostou de algo há cinco anos atrás na verdade gostou na semana passada – quando aquela banda, filme, marca de roupa etc ainda era indie, alternativa, underground. A partir do momento em que ela faz parte do sistema, o interesse termina. Que isso sempre existiu, não há dúvida. O que me espanta é a velocidade com que isso passou a ocorrer e como as pessoas rapidamente se adaptaram a esse novo esquema que na verdade só serve para alimentar a indústria cultural.

Certamente que isso tem aspectos positivos incalculáveis – especialmente na pluralidade e facilidade de acesso a novos nomes facilitado pela internet. Por outro lado, cria-se uma multidão de consumidores em busca de novos nomes antes que eles explodam na mídia- o que antes produtores musicais ganhavam uma fortuna para fazer, o grande público faz hoje de graça. No entanto, assim que esse novo nome explode na mídia, ele é rapidamente abandonado.

Vejam o Tim Festival desse ano. Os astros do evento são Santogold e MGMT – nomes que rapidamente saíram do nada, passaram rapidamente pelo circuito alternativo e hoje são consideradas estrelas do lineup. Mas quem conhece as músicas desses artistas além de leitores do google reader, ratos da Pitchfork e os chamados ‘antenados’ (que por mais que se sintam importantes, sempre serão minoria – até pq é interesse deles)? Não duvido nada que depois dos shows no Brasil, sejam descartados – teriam virado “pop demais”.

É claro que sempre haverá a busca por novos artistas q não são tão novos assim – vide a busca enlouquecida hoje em dia da ‘nova Amy Winehouse‘ (todo dia tem uma). Mas a velocidade em que eles são descartados me assombra. Os 15 minutos de fama de Warhol nunca pareceram tão longos.

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